A filosofia dos mundos paralelos dos animes e jogos japoneses.


Esse é mais um assunto que nunca vi ninguém debater ou discutir em foruns da internet. Em animes ou em filmes americanos infantis, em historias de fantasia um jovem é tragado para um mundo paralelo e desconhecido, onde na maioria das vezes a sua primeira reação é como sair daquele mundo perigoso. Como aqui é um blog de jogos japoneses o foco vai ser nas historias japonesas sobre essa tema.

E como o interesse daqui são os animes e jogos, irei comentar sobre o estilo de mundo paralelo. Mas o que seria isso? Eu atribuo isso de duas formas. O primeiro é o mundo paralelo que esta próximo do mundo real. E o segundo é o mundo paralelo que esta no mundo real. Vou dar um exemplo Digimon (primeiro) e Pokemon (segundo).

No Digimon os personagens vão para um mundo paralelo (Digimundo) onde pega o velho clichê que estamos habituados: mundo perigoso, temos que voltar pra casa, vilões que ameaçam o mundo, salvam o mundo e despedida. No caso de Pokemon o "mundo paralelo" costuma ser o mundo real com elementos de fantasia. Pokemon se passa num mundo real alternativo, onde os animais são monstros chamados Pokemon. Nesse tipo de universo, o protagonista costuma ser de certa forma ignorante sobre alguns elementos de seu próprio universo, para assim quem esta assistindo a serie se familiarize com o universo.

Pokemon pega meio o elemento do mundo real e coloca novos elementos nele. Nesse mundo paralelo diferente do primeiro o protagonista não tenta fugir desse mundo, afinal ele esta familiarizado. Em vez da fuga a o simples emprego da diversão desse universo. Diferente de Digimon que aborda mais a fuga.

Mas aonde quero chega nessa postagem? Quero chegar no ponto de; pra que existe a necessidade de voltar ao mundo real? Imagine você parando nesse mundo novo, com novas regras e politicas. Como qualquer mundo existe os seus perigos, filosofias e conceito. Alem que eles podem ter regras diferentes do mundo real.


Na maioria das obras sobre esse tema, o principal é voltar ao mundo real, para o retorno do lar. Mas em certas obras costuma ser debatido o seguinte tema: pra que voltar? Um bom exemplo de anime com esse tema é o The Twelve Kingdoms, anime de 2002 que tem 45 episódios. Onde é uma adaptação de uma light novel que é publicada desde 1992.

O anime fala de uma jovem garota de cabelos ruivos Youko, que tem uma vida difícil e sofre bullying e seu pai é violento. Um certo dia aparece um homem estranho na sua escola com longos cabelos brancos, onde ele se ajoelha perante ela e diz que ela é a nova rainha, mas não do seu mundo e sim de outro mundo. Em seguida demônios atacam a personagem e depois da fuga ela para num mundo novo, com um universo completamente diferente do mundo normal.

O escritor desse conto ele se foca muito em contar a historia do universo desse mundo, e como a economia e os seres mágicos que vivem nele. Tudo é tão diferente que até o nascimento de um ser vivo é algo bizarro. Enquanto no mundo normal as crianças nascem na barriga da mãe, nesse mundo as crianças nascem do frutos das arvores.

Primeiramente a heroína tenta voltar pra casa, mas um de seus colegas de escola faz a seguinte pergunta: por que você quer voltar pra casa? O que de bom você tem lá? Logo a serie sempre se remete que a protagonista não tem nada a perder. Se ela volta ao mundo real o que ela ganha? A sua família é difícil, ela não tem amigos na escola e não se da bem em provas e não é boa nos estudos. Enquanto nesse mundo novo, mesmo com todos os perigos ela tem como começar uma vida nova, como rainha e ainda com amigos que ela nunca teve no mundo normal.

A serie constantemente debate sobre o tema. Afinal se você vai para um mundo novo, você tem que abdicar do mundo anterior, caso volte para o seu mundo real tudo que você conquistou nesse mundo novo vai ser deixado para traz.


O que acho interessante a discussão desses temas na animação japonesa é que, mesmo sendo algo louco e viajado, ele ainda remete ao mundo real. O mundo paralelo seria remetido a busca de descobertas, como você ir morar num novo país onde você tem que se adaptar a cultura e costume desse povo, alem de aprender uma nova língua. Onde no The Twelve Kingdoms a personagem aprende a língua usada nesse mundo também.

Mas no final muito dessas obras costumam ser apenas para você se sentir o personagem entrando nesse novo universo. Colocam o herói vindo do mundo real onde ele vai para esse outro mundo completamente ignorante, para assim servir como justificativa para ele ir aprendendo (e você também) sobre a sua nova realidade.

Nunca vi outro anime fora The Twelve Kingdoms que debate-se esse conflito de voltar ou não voltar para o mundo real como um tema serio e ate filosófico. A grande maioria dessas obras costumam ter como foco o publico infanto-juvenil, onde pode agradar a todos os públicos. Em se tratando de jogos com esse tema, temos o Final Fantasy Tactics Advanced, onde no jogo o "Final Fantasy" é visto como um jogo e a historia se passa no mundo real.

Mesmo o jogo sendo um pouco infantil, ele ate consegue debater bem sobre esse tema. Mas mostrando varias perspectivas. Temos o nosso herói Marche onde ele e seus dois amigos tem sérios problemas em sua realidade. Enquanto um tem problemas pessoais o outro teve a mãe que morreu e seu pai que não conseguiu seguir adiante depois da tragedia, deixando o garoto que já tinha problemas ainda mais recluso.


Um dia os três vão para outro mundo. O protagonista pretende voltar ao mundo real, mas para isso ele tem que destruir cristais que vão criar uma desestabilização naquele mundo, fazendo assim ele e seus amigos voltarem pra casa. Porém diferente das historias padrões os seus amigos não querem voltar pra casa, muito pelo contrario eles decidem ficar nesse mundo, pelo fato de ser tudo o que eles queriam. A garota tem seu sonho realizado, o garoto recluso sem mãe e com um pai fraco, nesse mundo a mãe dele é viva e seu pai é forte e confiante.

Mesmo tendo um tema levianamente infantil, o jogo consegue debater temas bem sérios. E caso você queira jogar Final Fantasy Tactics Advanced depois de ler isso aqui vai um conselho: busque no google o cheater "No Laws", o jogo fica mais divertido e dinâmico com isso, quando você jogar você vai entender. Enfim, acho que me estendi bastante no assunto, onde para muitos pode não ser algo muito interessante de ler. Porém ter conteúdos diferentes e "malucos" para ler também faz parte da diversão.

Na sua opinião o que você acha sobre esse tema? Quais foram os animes ou jogos que vocês jogaram que inseriam esses elementos de mundo paralelo que vocês gostaram? Comente e vamos alimentar o debate.

This entry was posted in ,. Bookmark the permalink.

5 Responses to A filosofia dos mundos paralelos dos animes e jogos japoneses.

  1. YuriAxl says:

    Realmente é muito interessante esse tema, sempre gostei bastante... Outra obra que também trata sobre não querer voltar ao mundo real é No Game No Life, em que os protagonistas não tem absolutamente nada no mundo real que os faça quererem voltar e abandonar um mundo em que tudo é decidido por meio de jogos... *SPOILER* Em Zero no Tsukaima, o protagonista apesar de ter um lar para voltar, fica em conflito sobre abandonar todos que ele conheceu naquele mundo, e chega até a ter pesadelos sobre voltar para seu mundo e perder todos os amigos que fez no mundo paralelo. *FIM DO SPOILER* Enfim, mundos paralelos é realmente um tema bem abordado na indústria de entreterimento japonesa e é um dos meus preferidos... parabéns pela iniciativa de trazer isso em discussão.

  2. Lucas C. says:

    Esqueceu de falar do clássico desse tema: Caverna do Dragão
    Embora não tenha muita certeza se CdD aborda isso com um teor filosófico, mas pelo que me lembro, a decisão dos principais é um pouco conflitante. Eles não sabem como foram parar naquela mundo, nem sabem se vão mesmo para o mundo deles a cada tentativa falha de retornar para a realidade. Fora a trama subentendida da morte e o inferno.
    Outro também desse tema é Kingdom Hearts, o protagonista acho que decide ficar no mundo do Goofy e do Donald(?), não tenho certeza pois a franquia ainda não teve um final fechado que conclui a trama.

    Posso apontar outras também:
    Blood Lad
    Black Rock Shooter
    Olimpos
    Nanoha series
    Sword Art Online
    Accel World
    Angel Beats
    Arata Kangatari

    Ah seria muitos, embora alguns os principais não "vivem" no mundo paralelo/alternativo, ainda há a existência deste.

  3. Eu preferiria um que o personagem principal pudesse "pular" entre dimensões como um super poder dele e criase conflitos de ideologia nele mesmo impedindo de voltar mesmo se ele tive-se alguem para quem voltar, como a familia, mas outro anime em que os protagonistas não querem voltar (ao que parece,sei la) e o Mondaiji-tachi ga Isekai Kara Kuru Sou Desu yo, por terem super poderes que ninguem mais tem e serem "excluidos" (o protagonista masculino) ou não se encaixar no próprio mundo eles nem pensão 2 veses depois de descobrir o motivo deles terem sido chamados, eles aceitam,claro, não aborda muito o assunto mas nos primeiros eps da para percerber que tem uma pegada seria, afinal eles são pessoas unicas nos proprio mundo, não tem ninguem iguais a eles no mundo, em comparação nesse mundo isso e normal, tanto forte como fracas, animais ou seres magicos, superpoderes ou apenas talento, tem tudo que no mundo deles não tinha.

  4. Asakura_Mami says:

    Não é um game/anime, e nem veio do Japão, mas me lembrei do livro As Crônicas de Nárnia lendo isso. As 4 crianças vão para Nárnia, e quando eles [SPOILER] se tornam os reis e rainhas de Cair Paravel, eles até chegam a se esquecer de quem foram um dia, e de onde vieram. Só se lembram disso quando ACIDENTALMENTE voltam para o mundo real. E no primeiro livro, se não me engano, o protagonista não queria deixar aquele mundo maravilhoso para trás, mas voltou porque precisava salvar sua mãe. Em compensação, os dois velhinhos que foram nomeados rei e rainha, eles apareceram do nada naquele mundo, de repente, e aceitaram ficar por lá mesmo, governando aquela terra. O velhinho disse que ele não gostava da vida na cidade, que o lugar dele era no campo mesmo, e que ele não queria e nem tinha motivo para voltar para o mundo dos humanos. E a Feiticeira também, ela saiu do "mundo real" dela, e foi para o "mundo alternativo" dos humanos, e posteriormente para o mundo dos Narnianos. Ela também não queria voltar para o mundo dela (até porque o mundo dela virou vazio, e o mundo até desapareceu depois de ela ter saído de lá), ela gostou dos outros mundos, e quis ficar e dominar eles. Maaas, neste caso ela foi expulsa pelas crianças, por estar praticando o mal nos dois mundos. [FIM DO SPOILER] Aliás, nas Crônicas de Nárnia, quando tocam os aneis eles entram naquela floresta que é tipo.. um "Portal" entre todos os mundos que existem. Cada lago daquela floresta é como um portal para um mundo diferente. E no primeiro livro também, ao descobrir o poder dos aneis, o garotinho diz para a garota para eles explorarem cada mundo, um por um, por diversão. Infelizmente, em um dos primeiros mundos que eles visitaram, apareceu a feiticeira, e a diversão acabou. Achei que Nárnia tratou muito bem sobre esse assunto de "mundos paralelos". Enfim, ótima postagem, e realmente, é um assunto que nunca vi ser discutido por aí, rs.

  5. Bardo says:

    É um tema legal.
    Porém não é muito um problema para mim, pois faço 'roleplay' em tudo quanto é jogo que jogo mesmo.
    Como nas vns, que na primeira rota eu costumo fazer as escolhas como se eu fosse o personagem dentro do jogo e tal.
    Aí as outras rotas eu trato como se fosse um 'omake' ou realidade alternativa, pego um walkthrough e vou só assistindo.

    Ah, e obrigado por me lembrar sobre o 'ff advance' tinha pego o jogo faz um tempão, mas já nem lembrava que esqueci de terminar.

Leave a Reply